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Ex-funcionário, ex-jogador e agente ligado a Andres Sanches cobram Corinthians na Justiça

empresário carlinhos

Na última segunda-feira (30), um grupo formado pelo ex-jogador Alessandro “Cambalhota” (que jogou no Parque São Jorge em 2004) e pela família Dia Biasi (donos do Novorizontino), além do ex-gerente de futebol alvinegro João Roberto de Souza (Beto) e do empresário José Antonio Domingos (ligado a Andres Sanches), ingressaram com ação judicial para cobrança de comissionamento contra o Corinthians.

Pretendem receber R$ 336.418,90.

O processo tramita na 15ª Vara Civil, a cargo do juiz Fernando Antonio Tasso.

Recentemente, o Blog do Paulinho revelou atuação de José Antônio Domingos, em cooptação de jogadores da base alvinegra, representando Andres Sanches, para levá-los ao iraniano Kia Joorabchian, entre os quais a jovem promessa Carlinhos, além da participação deste na negociação de Leandro Castan ao exterior.

O pai de Carlinhos também é parte no processo movido contra o clube.

Empresário negocia garoto da base do Corinthians com Kia Joorabchian

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Bandidinho Carioca ?

Ex-jogador Marcelinho é suspeito de ‘esconder’ resort para fugir de dívida

Da FOLHA

Por ROGERIO PAGNAN

Marcelinho Carioca, 46, um dos maiores ídolos da história do Corinthians, teve sua carreira de jogador marcada por polêmicas. Agora, aposentado dos gramados, não consegue ficar longe delas.
O ex-craque é alvo de ação na Justiça de São Paulo na qual é acusado de ocultar patrimônio –entre eles um resort no interior paulista– em nome de “laranjas” para tentar escapar de credores. O imbróglio jurídico foi parar no Superior Tribunal de Justiça, que pediu investigação para penhorar os bens.

Esse processo contra Marcelinho –há pelo menos outros dez, por motivos variados– é movido pelo escritório de advocacia L. Coelho e J. Morello Advogados, que representou o ex-jogador entre 2000 e 2005 e que cobra honorários não pagos por ele.

A Justiça paulista já deu ganho de causa ao escritório e, no final de 2013, condenou o ex-craque ao pagamento de dívida que supera R$ 1 milhão, em valores atuais.

Como Marcelinho não pagou a dívida e não tem bens em seu nome para serem tomados, os credores contrataram um escritório especializado para investigá-lo.

Os advogados levantaram documentos para apontar que o Resort Sports Hotelaria, um hotel construído na área rural de Atibaia (a 60 km da capital), pertence a Marcelinho –embora registrado em nome de outras pessoas jurídicas. O ex-jogador já assinou, na condição de responsável pelo estabelecimento, documentos de ajustamento de conduta por danos ambientais e de parcelamento de IPTU.

Em depoimento à polícia, Ubiraci da Costa Cardoso, 47, ex-empresário de Marcelinho, disse ser dono do resort no papel, mas que, na verdade, era só um “laranja” do ex-craque.

Ele afirmou que entre 2009 e 2010 emprestou o nome para a abertura de empresa “em decorrência de problemas que ele [Marcelinho] tinha com membros de sua família, bem como dois casamentos frustrados, não podendo ter nada registrado em seu nome”.

“Disse-me que seria por um período curto de três meses. Acreditando na sua palavra, acabei ‘emprestando’ meu nome e a empresa fora aberta em meu nome e no nome de minha genitora, a qual inclusive na época tinha aneurisma cerebral”, declarou Cardoso, em junho de 2014.

O empresário havia procurado a polícia ao descobrir, segundo ele, dívidas trabalhistas de ex-funcionários do resort, inclusive com sentença de execução, além de falsificações de assinaturas dele em documentos do hotel.

Marcelinho hoje é secretário de Esportes de Ubatuba. Tentou se eleger vereador em São Paulo pelo PRB na última eleição, mas não conseguiu – recebeu 12.602 votos. Neste ano, foi para o Podemos.

A defesa do ex-craque diz que o resort está em nome de empresa da família e que Marcelinho só empresta seu nome para promover o local.

BRASÍLIA

A disputa foi parar nos tribunais de Brasília porque a Justiça de São Paulo disse que o hotel não poderia ser penhorado por não estar oficialmente no nome de Marcelo Pereira Surcin (nome de batismo de Marcelinho).

Consultados por meio de recurso especial, os ministros do STJ decidiram em agosto, por unanimidade, que a Justiça paulista deve abrir investigação para verificar se o resort pertence ao jogador –para que seja penhorado, mesmo sem estar no nome dele.

“O Poder Judiciário não pode ignorar o que qualquer jogador do Clube Atlético Penapolense sabe”, disse Fábio Gentile, do escritório BGR, sobre a equipe do interior hospedada no local em 2014.  O ex-jogador do Corinthians afirma abertamente aos hóspedes do resort que é o proprietário do espaço.

‘NADA OBSCURO’

O advogado Mauricio Keller, que assumiu a defesa de Marcelinho Carioca, disse que o resort em Atibaia não pertence ao ex-atleta, mas, sim, à família dele por meio de uma offshore “familiar”. Ele alega ainda que o ex-atleta do Corinthians empresta o uso de sua imagem para a promoção do local –e, por isso, Marcelinho até diz ser dono daquele hotel.

“Esse imóvel é da família do Marcelo muito antes de esse processo [de execução] ser iniciado. Então, não há nada de obscuro, nada de ilegal, nada de ocultação.” Ainda segundo o defensor, o representante dessa “offshore” no Brasil é hoje Márcio Pereira Surcin –irmão do ídolo do Corinthians. Keller não soube, porém, informar quais recursos ele usou para essa aquisição.
“Provavelmente, com ajuda do Marcelo, e de outros. Mas, até aí, peço mais desculpa, deveria ser um caso para Receita Federal”, respondeu, ao ser questionado pela reportagem.
O advogado disse, ainda, que Marcelinho tem um imóvel de alto valor em São Paulo que pode ser utilizado para pagar a dívida, embora ele também já esteja penhorado em razão de dívidas de IPTU e condomínio.

Keller assumiu a defesa de Marcelinho no lugar de Cláudia Cristiane Ferreira Castro, que diz ter deixado o cliente em razão de calote. “Além de não me pagar os honorários, ele ainda me deixou uma dívida de quase R$ 200 mil nas costas.” Agora, a advogada que defendia Marcelinho afirma que o resort de Atibaia pertence a ele e que ela pode repetir isso na Justiça.

Guilherme Murray, muito além do “fair-play”

Em 2014, o jovem esgrimista Guilherme Murray tornou-se mundialmente conhecido por conta de belíssimo gesto de “fair-play”, após acusar ponto do adversário, revertendo resultado a seu favor que já havia sido confirmado.

O episódio, de absoluta dignidade, foi premiado, dois anos depois, com a mais alta condecoração do “fair-play” esportivo, ratificada, oficialmente, pelo Comitê Olímpico Internacional.

Esgrimista é primeiro atleta brasileiro a receber mais alta comenda do Fair Play esportivo

Ontem, Guilherme Murray, em franca evolução, conquistou a medalha de bronze da esgrima, representando o Brasil na modalidade florete, nos II Jogos Sulamericanos da Juventude, realizados em Santiago, no Chile, que se repetem a cada quatro anos e fazem parte do programa Olímpico.

O brasileiro prepara-se para a disputa dos Jogos Olímpicos da Juventude, ano que vem, em Buenos Aires.

Participaram do torneio os mais destacados esgrimistas de cada país, no continente sulamericano, nascidos entre 2001 e 2003.

A delegação nacional foi representada por aproximadamente duzentos integrantes, entre atletas, médicos, fisioterapeutas, técnicos e chefes de equipe.

Dedicado nos treinamentos, Guilherme, talento brasileiro, no esporte e na vida, segue um caminho que promete levá-lo muito além da fama adquirida no episódio do “Fair-Play”.

ATUALIZAÇÃO: agora há pouco, Guilherme Murray conquistou nova medalha, de ouro, em equipes mistas

Candidato a presidente quer vender o Corinthians a investidores da Bolsa de Valores

IPO (Initial Public Offering) é uma sigla para Oferta Pública Inicial (ou OPI). Como o próprio nome diz, é quando uma empresa vende ações para o público pela primeira vez.

Isso também é conhecido como a abertura de capital. É a primeira vez que os proprietários da empresa renunciam de parte dessa propriedade em favor de acionistas em geral.


Ontem, o Estadão revelou que um dos candidatos à presidência do Corinthians, Paulo Garcia, dono da Kalunga, defende a venda do clube para investidores da Bolsa de Valores.

Em entrevista à colunista Sonia Racy, o empresário, ao ser questionado sobre seus planos para o Timão, disse:

“Deixar de lado o amadorismo, Prepara-se para um IPO. Dotar o clube de um projeto empresarial”

IPO trata-se de abrir o capital de uma empresa pela primeira vez.

É estranho, porém, que o candidato, proprietário de uma empresa que, certamente, é das maiores e mais rentáveis da América Latina, ainda não tenha lançado mão desta alternativa, particularmente, mantendo a Kalunga fechada e sob o comando de familiares.

Milton Neves é condenado após não comprovar denúncia contra Juca Kfouri: “conduta que beira má-fé”

(…) o que se observa nestes autos, lamentavelmente, é a utilização indevida do Poder Judiciário para satisfazer sentimentos particulares.”

“Com efeito, o autor popular (Milton Neves) ajuizou a presente ação mesmo sabedor da retratação feita pelo Sr. Castiglieri (fls. 39), diga-se, aliás, das retratações feitas por ele, e sem apresentar uma única prova dos fatos articulados na inicial.”

“Assim, em conduta que beira a má-fé, preferiu recorrer às vias judiciais baseado em relato recalcitrante envolvendo seu desafeto público, o jornalista Juca Kfouri, sem se preocupar em averiguar a existência de fundamento nas denúncias que lhe foram feitas pelo Sr. Castiglieri ou, em outras palavras, a despeito das evidências revelarem que não havia fundamento algum, porquanto saltava aos olhos que agia motivado por sentimento pessoal de vingança, em razão de sua demissão, o que se denota claramente da leitura de suas mensagens.”


Em 2010, o “garoto propaganda” Milton Neves, da BAND, motivado, provavelmente, pelo sentimento de rejeição, denunciou o jornalista Juca Kfouri, além do colunista do Lance, José Luiz Portella (à época Secretário dos Transportes Metropolitanos) e o jovem Conrado Giacomini, por crimes inventados por uma suposta testemunha, sem que, por conta, talvez, de despreparo jornalístico, se não, má-fé, tivesse uma prova sequer da acusação.

O conto chega a ser engraçado.

Segundo MN, Conrado havia sido contratado, de maneira irregular, para trabalhar no Metrô de São Paulo, com anuência de Portella, sendo pago com dinheiro público com dois objetivos: ocupar o cargo de “ombudsman” do Blog de Juca Kfouri e escrever um livro sobre o São Paulo Futebol Clube.

No último dia 28, por razões evidentes, a juíza  Carmen Cristina F. Teijeiro e Oliveira julgou improcedente o pedido, com direito, ainda, a constrangedor puxão de orelha nos denunciantes, além de abertura de Inquérito, no MP-SP, por falso testemunho.

Milton Neves foi condenado, por fim, a arcar com todas as custas processuais, além de pagar R$ 20 mil dos honorários advocatícios.

Valores que, certamente, não superam o histórico vexame.

CONFIRA ABAIXO A ÍNTEGRA DA SENTENÇA:

Milton Neves vs. Juca Kfouri

“A ação é improcedente”

“Com efeito, a prova oral veio aos autos com a função de corroborar os argumentos lançados na sentença anulada, extirpando qualquer dúvida acaso ainda remanescente quanto a mais absoluta falta de fundamento da denúncia trazida pelo autor popular, conforme discorrerá a seguir”

“Extrai-se da inicial que todo o enredo teve início com denúncias de um ex-funcionário da EMTU, Marco Antônio Castiglieri, formuladas ao autor popular, no sentido de que, a pedido do jornalista Juca Kfouri, teria sido formalizada a contratação do corréu Conrado Giacomini para ocupar cargo de confiança na empresa referida, sendo que, na verdade, o objetivo era que esta pessoa não trabalhasse efetivamente para a empresa, e sim escrevesse um livro sobre o São Paulo Futebol Clube”

Teria havido, assim, contratação com desvio de finalidade, e evidente prejuízo ao erário, porquanto ele recebera seus salários para objetivo diverso do cargo ocupado, e que sequer condizia com a finalidade da empresa, já que relacionado ao futebol, mais especificamente ao São Paulo Futebol Clube e ao jornalista Juca Kfouri”

“Não obstante, não havia, desde o princípio – e a dilação probatória tampouco foi capaz de produzir – uma única prova nos autos que corroborasse tal assertiva, com exceção de correspondências eletrônicas trocadas entre o autor da referida denúncia, Marco Antônio Castglieri e o autor popular (Milton Neves)”

“Porém, estas denúncias, absolutamente desprovidas de qualquer comprovação, são absolutamente insuficientes ao fim a que se destinam, notadamente ante a mais absoluta falta de credibilidade do seu autor, o Sr. Marco Antônio Castiglieri, que altera a versão dos fatos constantemente, ao sabor do seu humor”

“Oportuno registrar que, antes mesmo da propositura desta Ação popular, o Sr. Marco Antônio Castiglieri já havia se retratado das acusações feitas, em emails trocados com o jornalista Juca Kfouri”

“Em sei de maio, por exemplo, ele escreveu para o aludido jornalista “… a besteira que fiz foi movida por um sentimento profundo de indignação pelo que fizeram comigo, …”, e mais adiante, continua “… me equivoquei, errei, fui estúpido, fiz ilações sem provas (aliás cito isto também no email ao Milton Neves) o que disse não tem valor jurídico nenhum. Envolvi o nome de pessoas de forma indevida. Portanto peço novamente mil desculpas. Se quiser faço uma retratação pública afirmando isto, tanto a você como as demais pessoas que citei”

“Em outro trecho relevante, Castiglieri finaliza “te agradeço imensamente caso puder compreender minha besteira e me perdoar”

“O sentimento de indignação a que se refere o autor da denúncia é a demissão dele, algum tempo antes, da referida EMTU, que, segundi ele, teria motivações políticas”

“Em todas as manifestações de Castiglieri se observa que o mote das acusações é de fato a demissão, que lhe trouxe revolta e inconformismo. Ele próprio informa em uma passagem que não teve mais paz desde o referido dia, e ainda relata o desespero sentido quando seu filho de seis anos lhe cobrou o motivo pelo qual ele não conseguiu um novo emprego”

“Denotava-se, desde o princípio, que o Sr. Castigliari estava bastante perturbado com a sua demissão e se utilizou destas denúncias de forma vingativa, tendo procurado o autor popular provavelmente em razão da desavença pública e notória existente entre o Sr. Milton Neves e o jornalista Juca Kfouri”

“Contudo, longe de ser a última versão acerca dos fatos, o Sr. Marco Antônio Castiglieri trouxe nova narrativa apenas dois dias depois, oito de maio, oportunidade em que enviou outra mensagem ao jornalista Juca Kfouri, na qual informou que não se retrataria de nada, que o email enviado no dia seis de maio fora escrito sob abalado estado emocional, eis que ele se encontrava com um parente hospitalizado. Ele ainda se dizia perseguido e ameaçado por Juca Kfouri e informava que registraria uma ocorrência policial”

“Entretanto, surpreendentemente, em Juízo, ele voltou atrás mais uma vez e não confirmou as denúncias contidas na inicial”

“Com efeito, visivelmente nervoso, e apresentando justificativas incompletas e, muitas vezes, incompreensíveis, comportamento típico de quem é colhido em contradição e esgotou seus argumentos, o Sr. Marcos Antônio Castiglieri não confirmou o teor das mensagens eletrônicas nas quais se baseou o requerente para ajuizar a presente Ação Popular”

“Esta juiza lhe indagou especificamente se poderia confirmar aquelas mensagens, no sentido de que o Sr. Conrado Giacomini fora contratado com desvio de finalidade, ou seja, não para trabalhar, mas sim para escrever um livro sobre o São Paulo Futebol Clube, ou ainda para “alimentar” o “blog” do jornalista Juca Kfouri, tendo ele respondido, textualmente, por mais de uma vez, que não podia fazer tal assertiva, pois Conrado fora contratado para trabalhar e, paralelamente, escrevia o livro e comentava no “blog” do referido jornalista”

“A negativa exsurge de forma mais evidente aos 12m18s da gravação do seu depoimento”

“Em outra passagem, ele afirma que nunca viu o Sr. Conrado escrever o livro do São Paulo, já que ele trabalhava em outra sala (21m54s), e que, em verdade, as denúncias foram baseadas no fato do próprio Sr. Conrado ter lhe comentado, certa vez, que fora contratado pelo Sr. João Paulo, porque conhecia o Sr. Juca Kfouri, e que estava escrevendo um outro livro sobre o São Paulo Futebol Clube”

“Com relação aos escritos no “blog” de Juca Kfouri, Marco Antônio Castiglieri informou que fez um levantamento por sua própria cinta no referido sítio eletrônico, e atestou que Conrado escrevia nele diariamente, em horários nos quais deveria estar trabalhando”

“Oportuno registrar que, a despeito de lido em audiência por esta magistrada parte do conteúdo dos e-mails subscritos pelo próprio Marco Antonio Castiglieri e enviados ao autor da ação, nos quais ele acusa diretamente o Sr. Conrado de ter sido contratado para escrever o livro do São Paulo e não trabalhar, chamando os vencimentos por ele percebidos de “patrocínio” à custa do erário público, o Sr. Marco Antonio Castiglieri continuou negando ter feito tais afirmações.”

“Tem-se, pois, que ele nega o que escreveu, mas não nega a autoria das mensagens. Assim, a despeito de algum empenho do advogado que representa o autor popular, o depoimento do Sr. Marco Antonio Castiglieri, especialmente a partir de 17min35seg, revela claramente que ele, uma vez mais, mudou sua versão acerca dos fatos, tendo deixado de confirmar em Juízo as acusações feitas pelo autor popular aos réus desta ação.”

“Conclui-se, pois, que as palavras de Castiglieri são imprestáveis, porque despidas de um mínimo de credibilidade, pelas constantes alterações da versão dos fatos. Insta salientar, outrossim, que a Corregedoria  Geral da Administração instaurou procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da contratação do corréu Conrado pela EMTU, bem como de suas atividades na empresa, e que o Sr. Castiglieri sequer compareceu para prestar  declarações (fls. 322), demonstrando, mais uma vez, que suas denúncias não têm sustentação.”

“No mais, observa-se que no procedimento administrativo instaurado pela Corregedoria Geral da Administração foram ouvidos alguns colegas de trabalho do corréu Conrado, sendo que todos eles afirmaram que se tratava de funcionário assíduo, e que não tinha previlégios, como veículo oficial, por exemplo. Dividia a sala com outros funcionários e exercia normalmente suas funções. O registro de freqüência de Conrado igualmente não aponta ausências significativas (fls. 320/326).”

“Em Juízo também foi ouvida a Procuradora do Município aposentada, Sra. Diva Straciarini, que trabalhou na EMTU juntamente com Conrado Giacomini. Ela informou que trabalhava em São Paulo, e ele em Campinas, sendo que, na época, o serviço na referida empresa avolumou-se em razão do surgimento dos “perueiros”, e havia necessidade de que uma pessoa qualificada, com conhecimentos jurídicos, avaliasse a documentação por eles apresentada, sendo que esta era a função do Sr. Conrado.”

“Ele se dirigia a São Paulo cerca de uma vez por semana, mais ou menos, conforme a necessidade, para discutir questões afetas a sua função, realizava o seu trabalho a contento, era empenhado, e não havia reclamações contra ele.”

“Ela ainda contou que ele trabalhou ali apenas durante alguns meses, e acredita que ele tenha deixado a empresa em razão do fim daquela demanda extra de serviço, razão pela qual também nenhuma outra pessoa foi contratada para substituí-lo.”

“Destaque-se, outrossim, que o corréu Conrado Giacomini havia lançado um livro sobre o São Paulo Futebol Clube em 2005, ou seja, dois anos antes da contratação ora em exame, não havendo notícias de que outro tenha sido lançado por ele depois de trabalhar na EMTU.”

“É certo que há provas nos autos no sentido de que Conrado enviava comentários para “blogs” esportivos, especialmente do jornalista Juca Kfouri, durante o horário de expediente, o que foi inclusive admitido pelo por ele próprio em sua oitiva feita pela Corregedoria. Não obstante, esta conduta isolada poderia até mesmo ter ensejado alguma espécie de punição administrativa por falta funcional, mas definitivamente não tem o condão de comprovar que a sua contratação se deu por interesses outros, com desvio de finalidade.”

“Ouvido como testemunha, o jornalista Juca Kfouri informou que o seu “blog” permite comentários de qualquer pessoa, de forma que se Conrado ali escreveu diariamente, ele assim o fez espontaneamente, como qualquer outra pessoa que visita o “blog”, sem que tenha havido qualquer contratação ou pedido por parte dele.”

“Já o requerido José Luiz Portella Pereira, que ocupava o cargo de Secretário de Transportes à época dos fatos, não possuía qualquer ingerência formal sobre a contratação de funcionários pela EMTU, que é uma sociedade anônima de economia mista, e embora seja controlada pelo Governo do Estado, se constitui em pessoa jurídica de direito privado, com administração e patrimônio próprios, absolutamente independente da administração pública direta.”

“E, à evidência, não se encontra no âmbito das atribuições do Secretário de Transporte, fiscalizar as contratações de pessoal das empresas que lhe prestam serviços. Cabia, pois, ao autor popular, apresentar ao menos algum indício de que o corréu José Luiz Portella Pereira tivesse, de alguma forma, concorrido para a aludida contratação, o que não ocorreu, pois como já exposto, as denúncias feitas pelo Sr. Castiglieri não foram corroboradas por ele próprio, nem por qualquer outro indício existente nos autos.”

“É dos autos, porque confirmado pelo Sr. Juca Kfouri, que o presidente da EMTU à época, Sr. Mansur, em conversa com ele, perguntou-lhe se conhecia alguém com formação em Direito para ocupar um cargo em confiança na empresa referida, tendo o jornalista indicado o corréu Conrado, a quem também conhecia. Nada há de ilegal, contudo, nesta simples indicação, fato absolutamente natural, pois é evidente que ninguém contrataria um desconhecido para ocupar um cargo em comissão.”

“Por fim, as qualificações do corréu Conrado para ocupar o cargo em testilha têm pouquíssima ou nenhuma relevância no caso, pois se tratava de cargo em comissão, ou seja, de livre provimento, e ainda que se concluísse não se tratar da pessoa mais adequada para a função, esta circunstância novamente seria insuficiente para provar o alegado desvio de finalidade.”

“Não obstante, a prova oral acabou por confirmar exatamente o oposto do que pretendia o autor da ação, ou seja, que ele era devidamente qualificado para a análise da documentação dos chamados “perueiros” que desejavam prestar serviços à EMTU, porquanto a função demandava pessoa com conhecimentos jurídicos, ou seja, formada em Direito, como era o caso do Sr. Conrado.”

“Restou igualmente rechaçada a assertiva do Sr. Marco Antonio Castiglieri, neste aspecto, ao afirmar em Juízo que o cargo ocupado pelo Sr. Conrado, a saber, Especialista I, era privativo de advogado.”

“O Sr. Castiglieri chegou a mencionar, inclusive, episódio no qual o Sr. Conrado não estaria adequadamente trajado para representar a empresa em uma audiência, e nos e-mails afirmou que ele nunca se dispunha a representar a empresa na condição de advogado, porque estava sempre ocupado escrevendo o livro do São Paulo Futebol Clube.”

“Não obstante, as alegações são absolutamente inver��dicas, porquanto a testemunha Diva informou que o cargo referido não era privativo de advogado, fato que foi confirmado pela própria EMTU no ofício de fls. 1382, oportunidade em que ela esclareceu, inclusive, que tampouco demandava registro na OAB.”

“E o Sr. Conrado não possuía o registro referido, razão pela qual não poderia advogar, razão pela qual as assertivas referidas são absolutamente sem sentido.”

“Considerando que o Sr. Marco Antonio Castiglieri chegou a ser indagado em audiência se conhecia a diferença entre bacharel em direito e advogado, a qual lhe foi ainda devidamente explicada naquela oportunidade, e que continuou a afirmar que tinha conhecimento pessoal de que o cargo referido era privativo de advogado, exsurgem evidências da prática de crime de falso testemunho.”

“Enfim, não há um único indício de ilegalidade na contratação examinada, já que sequer as inúmeras versões dos fatos trazidas pelo Sr. Castiglieri sequer podem ser consideradas como tal.

“Como já consignado na sentença anulada, o que se observa nestes autos, lamentavelmente, é a utilização indevida do Poder Judiciário para satisfazer sentimentos particulares.”

“Com efeito, o autor popular ajuizou a presente ação mesmo sabedor da retratação feita pelo Sr. Castiglieri (fls. 39), diga-se, aliás, das retratações feitas por ele, e sem apresentar uma única prova dos fatos articulados na inicial.”

“Assim, em conduta que beira a má-fé, preferiu recorrer às vias judiciais baseado em relato recalcitrante envolvendo seu desafeto público, o jornalista Juca Kfouri, sem se preocupar em averiguar a existência de fundamento nas denúncias que lhe foram feitas pelo Sr. Castiglieri ou, em outras palavras, a despeito das evidências revelarem que não havia fundamento algum, porquanto saltava aos olhos que agia motivado por sentimento pessoal de vingança, em razão de sua demissão, o que se denota claramente da leitura de suas mensagens.”

“Tem-se, pois, que a improcedência é medida de rigor.”

“Posto isto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido e, conseqüentemente, EXTINTO O PROCESSO COM JULGAMENTO DO MÉRITO, nos termos do artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil.
Sucumbente(s), arcará(ão) o(a/s) vencido(a/s) com o pagamento de custas e despesas processuais, bem como honorários advocatícios da parte adversa.”

“E, com relação a estes, aplico o artigo 85, § 8º, do NCPC, eis que a aplicação pura e simples do artigo 85, § 3º, do NCPC, culminaria com a fixação de valor absolutamente irrisório, considerando o baixo valor atribuído à causa.”

“E, assim, reputo condizente e adequado fixar os honorários, no caso, em R$ 20.000,00, devidamente atualizados, quantia que bem se presta a remunerar o trabalho realizado pelo procurador da parte vencedora.”

“Extraiam-se cópias integrais do feito e remetam se ao Ministério Público para apuração de eventual prática de crime de falso testemunho.”

P.R.I.
São Paulo, 28 de setembro de 2017.

Carmen Cristina F. Teijeiro e Oliveira
Juíza de Direito

Vice do Corinthians nega propina e defende a Odebrecht

No último dia 28, em programa de “web-rádio”, o vice-presidente do Corinthians, André Negão, mesmo ciente do relatório apresentado ao Conselho Deliberativo alvinegro, dando conta de diversos descumprimentos de contrato da Odebrecht durante as obras de Itaquera, defendeu, efusivamente, a construtora.

Negou, também, pagamento de propina e delirou ao dizer que a Arena não está sendo investigada pela “lava-jato”.

Recentemente, André Negão foi detido pela Polícia Federal, acusado de receber valores indevidos para facilitar a vida da Odebrecht nas obras do estádio.

Meses depois, foi delatado, junto com Andres Sanches (PT) e Vicente Cândido (PT), pelos mesmos motivos.

O surgimento da Lei de Gérson

Por JOSÉ RENATO SÁTIRO SANTIAGO

O habilidoso menino, nascido em Niterói, Rio de Janeiro, que batia bola nas ruas próximas a sua casa, logo passou a disputar seus ‘rachas’ nas praias do bairro de Santa Rosa. Ainda com 16 anos, sua canhotinha só perdia em garbosidade para a potência de seu nome, Gérson de Oliveira Nunes. Logo trocou as areias pelas quadras do futebol de salão e em seguida aos gramados. Primeiro na pequena equipe do Canto do Rio, por muito pouco tempo, para em seguida, vestir a mais popular de todas as camisas do futebol brasileiro, a do rubro negro carioca, o Flamengo, onde estreou na equipe principal em 1959 com apenas 18 anos.

No ano seguinte lá estava ele como titular da seleção brasileira que disputou os Jogos Olímpicos de 1960 em Roma. A estreia com a equipe canarinha principal aconteceria em 1961. Ainda que jamais tenha sido considerado um atleta em campo, sua habilidade com a bola nos pés, sobretudo com a precisão cirúrgica de seus lançamentos, fez dele um dos maiores meio campistas de seu tempo. Após ser campeão carioca pelo Flamengo em 1963, foi contratado pelo Botafogo do Rio, onde voltaria a ser campeão carioca em 1967 e 1968, quando também conquistou a Taça Brasil. Suas grandes atuações vestindo a camisa alvinegra da equipe da Estrela Solitária acabaram por levá-lo a sua primeira Copa do Mundo, em 1966 na Inglaterra.

Mas foi no Mundial de 1970 no México, que Gérson viveu seu grande momento com a camisa amarela. Ele foi o grande líder da equipe, para muitos a melhor de todos os tempos, que conquistou o tricampeonato mundial. Segundo muitos atletas daquele time, Gérson tinha ascensão até mesmo sobre Pelé, o maior de todos na história do futebol mundial. A carreira vitoriosa continuou no São Paulo, onde liderou a equipe que deu fim a um incomodo tabu de 13 anos sem conquistas, logo com um bicampeonato paulista nos anos de 1970 e 1971. Por fim voltou ao Rio de Janeiro para realizar um sonho, vestir a camisa de seu time do coração, o tricolor das Laranjeiras, o Fluminense, onde seria novamente campeão carioca em 1973 e encerraria sua carreira no ano seguinte, em 1974, com 33 anos.

A carreira irretocável é um dos maiores patrimônios de Gérson, que sempre foi lembrado por seus companheiros pelo apelido de papagaio, uma vez que costumava passar o jogo inteiro falando com todos aqueles com quem atuava sempre orientando, reclamando ou estimulando para que fizessem o melhor. O único momento em que Gérson costumava se silenciar era nos intervalos das partidas ou logo ao final delas, quando aproveitava para fumar. Isto mesmo. O ‘canhotinha de ouro’, como também passou a ser conhecido, sempre foi um fumante inveterado e nunca escondeu isso de ninguém, ainda que pudesse significar uma contradição à imagem de um jogador vencedor que foi durante toda a sua carreira.

Já aposentado, foi convidado em 1976 para estrelar a propaganda dos cigarros Vila Rica. O comercial começava destacando Gérson como o “cérebro do time campeão do mundo de 70” tendo como pano de fundo a imagem de seu gol na final da competição frente aos italianos. Em seguida o repórter o perguntava: “você, que sempre fumou, por que Vila Rica?”. Ao fim da explicação dada, Gérson arremata sua fala com a seguinte sentença: “Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!.” Ninguém poderia imaginar no que aquilo se transformaria.

Retirada do contexto, o “gosto de levar vantagem em tudo” passou a ser utilizada, desde então, como uma regra tácita daqueles que querem levar vantagem sobre os demais, de forma antiética, como que passando os demais para trás. Pior que isso, esta frase passou a ser chamada a Lei de Gérson, que ainda nos dias atuais é usada de forma pejorativa. Os diretores de criação da Caio Domingues & Associados, agência responsável pela peça comercial, ainda tentaram reverter o significado negativo da frase, ao desenvolver outra “levar vantagem não é passar ninguém para trás, é chegar na frente” mas esta, de longe, não teve a mesma repercussão. E poucos sequer lembram que ela tenha sido veiculada.

Comercialmente falando, a propaganda foi um grande sucesso e fez do cigarro Vila Rica um campeão de vendas. Já quanto à frase, para sempre ficou associada ao famoso jeitinho brasileiro, algo com forte denotação negativa, que acabou se impregnando ao nome de Gérson, que sequer tenha sido autor da frase, e sim, seu mero interprete. Anos depois, ele afirmou ter se arrependido de ter participado da propaganda.

Traição

Do ESTADÃO

Por DENIS LERRER ROSENFIELD*

‘Palocci está sendo acusado de não ser fiel ao PT. Mas o PT foi fiel a si mesmo?’

A carta de Antônio Palocci ao PT, apresentando a sua desfiliação, e a reação dos líderes partidários, acusando-o de “mentiroso” e “traidor”, expõem um certo modo de fazer política que se aparenta ao crime, subvertendo completamente o significado mesmo da moralidade. O avesso da tão anunciada política petista de renovação nacional nada mais foi do que uma demonstração de uma política criminosa. As palavras vieram a perder o seu significado.

Quem é o traidor? Aquele que fala a verdade e confessa os seus crimes? Aquele que rompe a lei do silêncio, não mais seguindo o valor mafioso da “omertà”? Mais vale a coerência com os princípios partidários ou o seu total abandono? É a traição dos princípios?

Um dos maiores ganhos apresentados pelo PT ao País foi o de ter sido criado como um partido munido de um corpo doutrinário que obedecia a alguns princípios básicos, como a luta pela igualdade, a redistribuição de renda e a ética na política. Mostrava também uma feição bolchevique em sua organização partidária que fazia par com os ares mais abertos subsequentes à queda do Muro de Berlim. Tal aspecto foi, porém, relegado pela opinião pública, ávida por mudança. O espírito leninista foi mitigado pela recuperação, embora tímida, de traços social-democratas.

Acontece que o partido terminou por adotar uma outra via, que não era a propriamente revolucionária nem a social-democrata, com aspectos de ambas, porém estando presentes disposições como a relativização do direito de propriedade via invasões dos ditos movimentos sociais e políticas distributivistas que ampliaram as criadas pelo governo social-democrata anterior. O caminho finalmente adotado foi o de cooptação do Estado à maneira de uma organização criminosa, voltada tanto para o enriquecimento pessoal quanto para o fortalecimento das finanças partidárias. Os princípios foram efetivamente traídos!

Como podem, portanto, os líderes petistas acusar Antônio Palocci de traição? Qual é a perspectiva? Por ter desnudado outra traição, a da máquina partidária em relação aos seus próprios princípios? Palocci está sendo acusado de não ser fiel ao partido! Mas o partido foi fiel a si mesmo?

A moralidade, outrora princípio partidário, tornou-se mero instrumento de manipulação, perdeu totalmente sua universalidade. Foi utilizada, retoricamente, para uso dos incautos. Um ex-presidente, já réu e denunciado em vários processos, com provas abundantes contra ele, utiliza o artifício demagógico de se apresentar como o homem mais honesto do País. O que fazem os seus companheiros, na verdade, seus cúmplices? Não coram e o apoiam! Um caro valor partidário foi completamente abandonado em nome da preservação da organização partidária, que surge como valor maior.

O PT revela, nesse episódio, toda uma estrutura partidária de cunho leninista, para não dizer stalinista. O coletivo afirma-se acima de todos os seus membros, cabendo a estes a mera obediência. Não importam o corpo doutrinário, os princípios e os valores, mas o ato de se curvar às diretrizes partidárias. Se o partido praticou crimes, a ordem é: esqueçam e o defendam acima de tudo. Se o partido se desviou de seus princípios, esqueçam e obedeçam-lhe. O partido não é lugar de pensamento e crítica, mas de servidão aos seus dirigentes e ao seu líder maior, Lula.

Note-se que foi aberto um procedimento de natureza “ética” em relação ao ex-ministro. Em vez de a ética significar coerência com valores de natureza universal, em vez de significar a retidão no comportamento pessoal, ela ganha toda uma outra conotação, a da submissão a um comitê partidário cuja função seria apenas determinar a sua punição por não ter seguido a lei do silêncio. A pena seria provavelmente a expulsão. No tempo de Stalin, com o partido gozando de poder absoluto, a pena seria a tortura, a humilhação e a morte, como foi o caso, entre outros, dos célebres Processos de Moscou, que eliminaram a velha-guarda bolchevique.

Lula foi elevado pelo partido às alturas do púlpito, exigindo de todos a crença absoluta nas suas palavras, como se nelas estivesse presente a fala de um líder religioso. Diz qualquer mentira e recebe em troca não a dúvida e a crítica, mas a devoção. Os militantes tornaram-se devotos de um líder partidário que se apresenta como figura imaculada. Já antes, no exercício do poder, excedia-se em suas bravatas, que eram, porém, cordialmente aceitas como coisa de um retirante bem-sucedido.

Acontece que o sucesso transformou aquela simpática figura do líder sindical num governante que considerou o poder coisa sua, a ser usada a seu bel-prazer, como se limites não existissem. A corrupção tornou-se meio de governo, inclusive sob a forma do enriquecimento pessoal e de seus familiares e amigos. Os históricos líderes comunistas, nessa esfera da corrupção, não ousaram tanto.

Agora, o véu dessa forma esquerdista de fazer política foi levantado. E o que aparece é a corrupção como forma de governo, o desmonte do Estado, a desestruturação da economia e o fortalecimento da desigualdade social. A retórica foi a do engano e da mentira, como se o Brasil se estivesse transformando num país de Primeiro Mundo, socialmente justo. Um líder carismático como Lula conseguiu transmitir a sua mensagem , ao arrepio de qualquer relação com a verdade. A prática era a política criminal e o seu véu, a política distributivista, a qual lhe permitiu a reeleição e a indicação de sua sucessora, que consumou o desastre da experiência petista.

A questão que se coloca aos petistas e seus simpatizantes é a da opção entre a crítica, com a sua subsequente renovação, e a crença na conduta religiosa de seu líder máximo. Devem escolher entre seguir uma seita e orientar-se segundo valores e princípios livremente discutidos e aplicados. Dessa opção, depende a consideração de quem é ou não traidor.

*DENIS LERRER ROSENFIELD é Professor de Filosofia na UFRGS

Malcon janta com seus empresários, Andres Sanches e Fernando Garcia, após surra do PSG

Malcon ao lado de Andres Sanches, Fernando Garcia e Guilherme Miranda, ontem, em Bordeaux

Ontem, após derrota para o PSG de Neymar e demais estrelas, por seis a dois, o atacante Malcon, ex-Corinthians, afogou as mágoas em restaurante de Bordeaux, ao lado de seus empresários, o deputado federal Andres Sanches (PT), ex-presidente do Timão e Fernando Garcia, irmão do dono da Kalunga, Paulo Garcia.

No Brasil, os agentes negam a relação.

Sanches trabalha nos bastidores para retornar ao cargo máximo no Corinthians, apesar de, fora dele, exercer, há mais de uma década, grande influência no departamento de futebol.

Desde então negociou jogadores com os principais agentes brasileiros, entre os mais frequentes, Kia Joorabchian, com quem encontrou-se também nesta viagem à Europa, a dupla Carlos Leite/Mano Menezes e, em associação comercial e política, Fernando Garcia, que, ao lado do irmão, garantiu-lhe financiamento necessário à campanha, culminando na eleição ao parlamento.

Recentemente, Andres Sanches e a família Garcia negociaram, também ao Bordeaux, a jovem promessa Matheus “Pirulão” Pereira, retirado na “mão grande” do Corinthians, em triangulação envolvendo a Juventus de Turim, que pagou R$ 10 milhões pelo jogador.

Destes, apenas R$ 500 mil ingressaram nos cofres do Timão, que cedeu inexplicáveis 95% aos prepostos de Fernando Garcia, distribuídos da seguinte maneira:

  • 35% SEV/Hortolândia;
  • 25% LF Assessoria Esportiva (em nome de Fernando Garcia);
  • 15% GT Sports (em nome de Guilherme Miranda e Thiago Ferro – sócios de Fernando Garcia);
  • 15% B2F Marketing
  • 5% Malcon
  • 5% Corinthians

Nos últimos meses, o Corinthians foi processado por todas as empresas ligadas a Fernando Garcia, listadas acima, em dissimulação para liberação, com maior rapidez, dos compromissos assumidos pelo clube.

Em tempo: coincidentemente, nesta semana em que Andres Sanches decidiu ir à França, o Corinthians anunciou a venda de seus 5% sobre Malcon ao Bordeaux, por R$ 16 milhões (ampliando o prejuízo da perda, totalizando o valor do negócio em R$ 320 milhões – 100% dos direitos), que serão transformados em abatimentos para contratação do zagueiro Pablo, gerando comissionamento de mais R$ 1,6 milhão aos intermediários.

Matheus “Pirulão” Pereira e Fernando Garcia, em Bordeaux

O gramado de uma Arena que joga contra o Palmeiras

Não é de hoje, a WTorre, gestora da Arena Palestra, tem entregado o gramado do estádio ao Palmeiras em petição de miséria.

Muitas são as desculpas.

A construtora, a princípio, mentia ao informar que os shows e demais eventos não danificavam o piso, mas que as intercorrências de davam por conta de fatores climáticos, etc.

Ontem, após o vexame da ineficiência do sistema de irrigação, que transformou o campo de jogo em piscina, a culpada foi a recente “troca de gramado”, efetuada, segundo a WTorre, para corrigir os problemas anteriores.

Esportivamente o Palmeiras não rendeu e perdeu para o Santos, por um a zero.

A Arena Palestra, que deveria servir de arma ao esquadrão palestrino, tem jogado de adversária.

Entregue, invariavelmente, em condições aquém das prometidas em contrato, interfere na produção técnica da equipe, e também no bolso do clube, vítima de pequenos “assaltos” em negócios paralelos ligados ao estádio, conforme revelamos, em matéria publicada neste sábado.

Empresa gestora do “Arena Experience” vende palestras “por fora”, às costas do Palmeiras

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Alex Muller chora derrota do Palmeiras: “incompetente para fazer um golzinho no horroroso Santos”

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O jornalista Alex Muller, do Esporte Interativo, não digeriu bem a derrota de seu clube de coração, o Palmeiras, diante do Santos, por um a zero, no encharcado gramado da Arena Palestra.

Em transmissão ao vivo pelo facebook, disse: “o Palmeiras foi incompetente para fazer um golzinho neste time horroroso do Santos”.

Alternando momentos de torcedor com jornalista, Muller chorou o resultado, detonando, nominalmente, alguns jogadores, em clima de absoluta decepção:

“Alex Mineiro seria Deus comparado aos atacantes do Palmeiras de hoje”.

O vídeo, que chega a ser divertido diante dos desabafos, em tom melancólico, pode ser conferido logo abaixo:

O caso Aécio não é jurídico, mas de ausência de caráter

Da FOLHA

Por CLÓVIS ROSSI

É jogar areia nos olhos do público desviar a discussão do caso Aécio Nevespara um confronto entre o Supremo Tribunal Federal e o Senado. Não há uma crise institucional, mas uma profunda crise de caráter de substancial parcela do mundo político.

Ao se retirar a areia da discussão, tem-se o seguinte:

1 – Aécio Neves teve um diálogo nada republicano com Joesley Batista? Teve. Nem ele nem o empresário negam.

2 – Aécio Neves pediu R$ 2 milhões a Joesley? Pediu. O senador agora afastado não nega, só dá uma desculpa esfarrapada para a solicitação.

3 – O dinheiro foi entregue? Foi, a um intermediário de Aécio, o famoso primo Fred. Entrega filmada.

Comprovados como estão tais fatos, houve, no mínimo, uma violação da dignidade funcional por parte do senador.

Nessas circunstâncias, uma pessoa de caráter teria renunciado ao cargo. Como Aécio não o fez, seus pares deveriam tê-lo expulsado, se tivessem o caráter que faltou ao envolvido no caso.

Tampouco o fizeram. Ao contrário, pretendem agora salvá-lo sob o pretexto de que não cabe ao Supremo determinar o seu “recolhimento noturno” –pena, aliás, branda para tanta falta de compostura.

É claro que há margem, do ponto de visto jurídico, para discutir se o STF acertou ou errou. Tanto há margem que três ministros votaram em uma direção (contra Aécio) e dois em outra (a favor dele).

Mas, do ponto de vista da moralidade pública, essa margem inexiste. O senador cometeu deslize abominável. Ponto.

Se tivesse tido a decência básica de renunciar, não se armaria esse confronto Senado/STF.

A compostura que faltou ao ainda presidente do PSDB (embora licenciado) faltou igualmente a seu partido. Ou, pelo menos, à maioria dele. Comprovados os fatos acima citados, a única atitude de um partido decente seria expulsar o envolvido não só da presidência, mas do próprio partido.

Não fazê-lo é ser cúmplice de um atentado à moralidade pública.

E os políticos ainda se queixam quando um ranking, como o do Fórum Econômico Mundial, aponta os brasileiros como os políticos menos confiáveis do mundo, últimos colocados em confiabilidade entre 137 países.

Abrir uma crise institucional por esse tipo de gente seria uma tremenda aberração. Mas, no Brasil, não seria uma surpresa. Afinal, nosso mundo político, com meia dúzia de exceções, é uma aberração.

Muralha: a bola que me pegue

Reprodução/TV Globo

Da FOLHA

Por MARCIUS MELHEM

Escrevo esta coluna no início da madrugada de quinta, numa cama de hotel em Belo Horizonte, logo após o Flamengo perder a Copa do Brasil para o Cruzeiro na disputa de pênaltis.

Pelo local em que estou, numa cama de hotel, em vez de um bar, uma festa, sobre o teto de um carro girando a camisa sobre a cabeça, já se deduz que eu torço para o Flamengo.

Os roteiros imprevisíveis que o esporte escreve são fascinantes. Veja o caso do goleiro Muralha, do Flamengo. Tão criticado por suas falhas, teve a chance de começar jogando e, após o zero a zero do tempo normal, usar a disputa de pênaltis para passar de vilão a herói, conquistar sua redenção e cumprir uma linda jornada.

Só que não.

O esporte se esmera tanto em seus roteiros, que chega a esse requinte de quebrar a quebra da expectativa, dando um duplo twist carpado, uma guinada de 360 graus e voltar ao mesmo lugar. Ou resumindo: de onde menos se espera é que não sai coisa nenhuma mesmo.

Muralha não pegou nenhum pênalti e o Cruzeiro levou por 5×3, já que Fábio —goleiro adversário— pegou um dos quatro que o Flamengo bateu.

Esporte é isso aí, ganhar ou perder. Faz parte.

Mas há derrotas que nos fazem pensar. Muralha pulou para o mesmo lado nos cinco pênaltis. Não chegou perto de pegar nenhum. Confrontado com a inédita decisão de saltar só pro canto direito, disse que era “estratégia”.

Que subversão maravilhosa. Desde que inventaram o goleiro, sua função é ir ao encontro da bola e impedir o gol. Muralha inventou a tática do “a bola que me pegue”.

Repare que engenhoso. Ele escolhe um canto só e pensa: uma hora essa bola vem pro lado de cá. Essa inversão é tão genial, que parece loucura. Ou vice versa.

Imagine se isso se espalha como estratégia em outras situações?

Um país resolve atacar outro e lança bombas em apenas uma área do campo inimigo. Alguém avisa: “gente, o exército deles está do outro lado”. Aí vem a resposta da tática Muralha: “sim, mas quando eles vierem pra cá, vão ver o que é bom…”.

Ganhar torcendo pro outro errar não me parece encher alguém de mérito. Mas na mágica do esporte até isso acaba bem visto.

Quando dá certo.

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