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Archive for 20 março, 2017

Marco Antonio Villa humilha Andres Sanches (PT) ao comentar absolvição de processo

março 20, 2017

Saiba mais sobre o assunto:

https://blogdopaulinho.com.br/2017/03/18/jornalistas-da-jovem-pan-que-trataram-andres-sanches-como-bandido-e-sem-vergonha-sao-absolvidos/

https://blogdopaulinho.com.br/2017/03/19/o-senhor-e-o-andres-sanches-que-saiu-ontem-no-jornal-nacional/

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Se ingressar na arbitragem, Corinthians poderá utilizar as arrecadações de seus jogos em Itaquera

março 20, 2017

Levantamos, ontem, dúvidas sobre a razão do Corinthians não fazer valer seu direito (previsto em contrato) de questionar os pontos divergentes do acordo com a Odebrecht (entre os quais a falta de execução de todos os itens) em comitê independente de Arbitragem.

https://blogdopaulinho.com.br/2017/03/19/o-que-espera-o-corinthians-para-levar-a-odebrecht-a-arbitragem/

Aparentemente, o clube, que só teria a ganhar com a iniciativa, teme que, entre as consequências da investigação, sejam revelados nomes de dirigentes e conselheiros que, em vez de cuidar dos interesses alvinegros, trabalharam pela construtora.

Dois nomes, ao menos, o deputado federal Andres Sanches (PT) e o vice-presidente do Corinthians, André Negão, são apontados pela “Operação Lava-Jato” da Polícia Federal como “soldados da Odebrecht”, em troca de “agrados” que viabilizaram assinaturas de aditivos (que seriam checados na arbitragem) para encarecer o valor da obra do estádio, que partiu de R$ 330 milhões e finalizou em R$ 1,2 bilhão (sem contar juros, empréstimos e correções).

Mas existe outros (Raul Corrêa da Silva, Roberto Andrade, Mario Gobbi, etc.), que assinaram documentos viabilizadores da construção do estádio (ainda não citados pela PF), que, por conta disso, preferem não dar margem às suspeitas.

Há pelo menos uma clausula, claramente abusiva, que inviabiliza a vida financeira alvinegra, que poderia ser disputada no Comitê de Arbitragem, gerando benefícios imediatos ao clube: a que obriga o Timão a repassar 100% de sua arrecadação na Arena para um fundo gerido pela construtora.

Assim que o litígio for iniciado, o Corinthians passará, até a decisão final do problema, a poder utilizar-se destes recursos, que fazem falta para a boa saúde das finanças e sequer possuem utilização (nos termos do acordo com o Fundo – amortizar a dívida do estádio) verificada pelo Conselho.

Ouça a rádio Rock n’ Gol ao vivo !

março 20, 2017

Blog do Paulinho

Coluna do Fiori

Blogueiros

A Base do Corinthians e o deputado da “Lava-Jato”

março 20, 2017

Jaça e Andres Sanches

No âmbito do acordo de bastidores que livrou o presidente do Corinthians, Roberto “da Nova” Andrade do impeachment, o deputado federal Andres Sanches, além de viabilizar seus negócios no futebol profissional alvinegro, tomou de assalto as categorias de base do clube.

O time Sub-20 tem o ex-jogador Coelho como treinador (que quando atleta tinha Sanches – por intermédio do preposto Andre Campoy, como propritário de seus direitos); no Sub-23, a coordenação ficou a cargo de Jaça, sócio de Andres em posto de gasolina na Zona Norte, responsável por trazê-lo ao Corinthians, além de ter sido parceiro de André Negão em comércios informais ligados ao ramo da “sorte”.

Ontem, no Condomínio Home Colonial Granville, no bairro da Vila Carrão, em São Paulo, a Base (Jaça) encontrou-se com a Lava-Jato (Andres Sanches), certamente não apenas para discutir o “sexo dos anjos”.

Do Sub-20 até a equipe profissional (os principais setores de comando do futebol), pelo que se observa, mesmo que, eventualmente possam surgir revelações, o resultado delas, por muitos anos (se não houver interrupção desse esquema) estará perdido.

Ameaça de Leila Pereira (Crefisa) a conselheiros não passará batida no Palmeiras

março 20, 2017

Leila Pereira ao lado de um de seus eleitores

Em recente entrevista, Leila Pereira, conselheira do Palmeiras eleita em flagrante irregularidade ao Estatuto palestrino (não possuía tempo suficiente como associada), esposa do dono da Crefisa, ameaçou:

“Eu não esqueço jamais quem esteve ao meu lado, mas você pode ter certeza absoluta que eu não esqueço jamais quem foi contra mim, quem brigou contra mim, quem falou coisas absurdas, quem apoiou essa impugnação”

O recado, óbvio, tinha como alvo os 33 conselheiros que não se curvaram ao dinheiro da apelidada “Uma Linda Mulher”, votando à favor do cumprimento de leis do clube, por consequência, pela impugnação de sua candidatura.

A afronta, porém, não passará batida e deverá ser cobrada na próxima reunião do Conselho Deliberativo, a primeira que terá a participação da madame.

Falcatruas da BRF Foods eram reveladas pelo Blog do Paulinho desde 2013

março 20, 2017

(publicado em 23/04/2013)

BRF FOODS, em ação tratada como “mafiosa”, “roubou” clientes e impôs falência a distribuidores de leite em São Paulo

No último dia 25 de março de 2013, a BRF FOODS, em decisão unilateral, enviou carta a todos os estabelecimentos compradores de produtos lácteos das marcas “Elegê”, “Batavo”, “Qualy”, “Perdigão”, entre outros, comunicando o descredenciamento de seus distribuidores, dizendo ainda que será responsável agora pela comercialização direta com as empresas.

Um golpe que ocasionou, de cara, a revolta dos prestadores de serviço, alguns, há mais de cinquenta anos no mercado.

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Muitos perderão a única fonte de renda, outros terão que se desfazer de patrimônio adquirido ao longo de décadas.

Calcula-se que aproximadamente 70 empresas de transporte, que prestavam serviço de distribuição serão comprometidas, ocasionando prejuízo direto aos mais de 900 funcionários a elas ligados.

O fechamento da maioria, além das demissões, serão invitáveis.

Com esse quadro, os contratos serão rescindidos, porém, sem que os distribuidores recebam a devida compensação financeira, num “esquema” tratado como “mafioso”, que relataremos, com documentos, nas linhas abaixo.

COMO FUNCIONAVA A DISTRIBUIÇÃO

A grande maioria dos distribuidores lesados estão há décadas no mercado, e mantinham contrato anterior com a famosa “Leite Paulista”.

Com a derrocada da empresa, que passou a ser assumida pela CCL, os contratos migraram quase que automaticamente, mantendo-se o sistema anterior de distribuição.

Anos depois, a AVIPAL tornou-se responsável pelos contratos da CCL, entre eles os de distribuição.

Na sequência, nova negociação passou o controle de todos os negócios para a Perdigão, que depois foi absorvida pela BRF FOODS.

À princípio, até para ter a real noção de mercado, a relação com os distribuidores não sofreu alteração substancial, com a BRF FOODS até incentivando a venda, razão pela qual o faturamento dos prestadores de serviço, em 2008, cresceu, em média, 20%.

O PLANEJAMENTO DO GOLPE

Após um primeiro ano em que a BRF FOODS agiu em boa parceria com os distribuidores, a empresa sentiu que poderia lucrar ainda mais se fizesse diretamente a distribuição de seus produtos no mercado.

Mas, para isso, precisaria romper dezenas de contratos com distribuidores, ação absolutamente inviável financeiramente.

Partiu-se, então, para o “golpe”.

Todos foram obrigados a assinar um contrato que, a princípio, mostrava-se igual aos outros, porém, numa das cláusulas, a 9.1, estava a “pegadinha”.

Dizia que para romper o compromisso, a BRF FOODS teria que pagar multa que tinha como referência os três últimos meses de faturamento comprovado dos distribuidores.

À princípio, com o faturamento, que já era bom, em crescimento, os proprietários das empresas julgaram estar garantidos.

Ledo engano.

A BRF FOODS, por intermédio da PERDIGÃO, passou a enforcar financeiramente os “parceiros”, numa ação tratada como criminosa por boa parte dos distribuidores, que ocasionou impressionante redução de 80% do faturamento, entre 2009 e 2012.

Portanto, a multa a ser paga pela PERDIGÃO, que antes era inviável, tornara-se agora irrisória.

“A BRF FOODS retirou produtos do mercado nos últimos anos, num prejuízo calculado, como forma de estrangular financeiramente os distribuidores, em desacordo com clausula 6.5 contrato”, afirma Luis Da Mata, da DISLEITE SANTA MARIA.

“Em alguns casos, a BRF FOODS vendia o mesmo produto que nossas empresas, paralelamente, a preço menor, para os mesmos clientes.”, finalizou.

“O que ela não cortou de produtos, reduziu, aumentando ainda o preço final, muito acima do praticado pela concorrência, inviabilizando a comercialização.”, reclamou Getúlio R. Prado, da TRANSLEITE PRADO.

“Hoje eles querem pagar uma indenização baseada num faturamento irreal, ocasionado pelo estrangulamento financeiros que ocasionaram a nossas empresa, quando o correto seria observar a média geral de todos os anos de trabalho, quando tínhamos todos os produtos a disposição e condições mínimas de comercialização”, ressaltou João Cardoso, da TRANSLEITE RIO BRANCO.

“Tivemos, recentemente, uma reunião para inglês ver com Luiz Henrique Lissoni (foto), vice-presidente de Supply Chain da BRF FOODS, que, de maneira dissimulada disse que nossas vendas não estavam satisfatórias para a empresa. Um disparate !”, complementou.

“Não tivera nem a decência de nos comunicar a rescisão unilateral do nosso acordo. Soubemos quando tivemos acesso à carta que eles sorrateiramente enviaram aos nossos clientes. Sim. Porque os clientes que eles querem se apoderar agora foram conquistados por décadas de nosso trabalho. Tem empresa com mais de 50 anos servindo a mesma clientela.”, desabafou Rogério Marques do Reis, da FRS LELLOS.

“Foi um golpe, coisa de “máfia”… já estava planejado… olha aqui esse e-mail em que o advogado da Perdigão já orientava-os a nos prejudicar.”, disse um dos empreiteiros.

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Mas a sacanagem não parava por ai.

“Eles nos obrigavam ainda a carregar nossos caminhões com produtos não pedidos pelos clientes, para que pudessem bater suas metas. A carga era devolvida, eles tinham a cara de pau de lançar Notas de Débito e o prejuízo era todo nosso.”, afirmou Ronaldo Farias, da RDL TRANSPORTES.

BRF FOODS JÁ RESPONDE PROCESSO POR PRÁTICA ABUSIVA

Tramita na 5ª Vara Cívil de São Paulo alguns processos contra a BRF FOODS por prática abusiva e estrangulamento financeiro, movido já por distribuidores que, no último ano, não resistiram ao “esquema” de redução de fornecimento compulsório da empresa.

Documentos comprovam todas as acusações descritas na matéria, entre elas pratica de quebra de fornecimento, recusa de receber devoluções de mercadorias, concorrência desleal, além de abuso dos contratos de transporte para reduzir o valor das indenizações.

Certamente outros mais devem ser impetrados nos próximos dias, ocasionando ainda mais transtornos aos distribuidores lesados, sabedores de que com a morosidade judicial, muitos sequer viverão para serem indenizados.

“É uma vergonha. Se tivessem o mínimo de civilidade, de licitude comercial, nos procurariam para pagar, ao menos, a média de nossas vendas quando podíamos concorrer em igualdade de condições.”, disse um dos distribuidores.

“Uma empresa tão grande, tão poderosa, agindo como nos tempos da “Cosa Nostra”, contando com a morosidade do judiciário e com o silêncio de boa parte da mídia, que precisam de seus anúncios. O Governo precisa abrir os olhos para essa pratica criminosa que atenta contra brasileiros que por anos serviram ao país, pagando impostos e gerando empregos”, finalizou.

(Publicado em 25/04/2013)

BRF FOODS é notificada por “ato ilícito” pelos distribuidores, mas mantém silêncio sobre denúncias

No início da semana, publicamos matéria em que a empresa BRF FOODS era tratada como “mafiosa” por alguns de seus distribuidores.

https://blogdopaulinho.wordpress.com/2013/04/23/br-foods-em-acao-tratada-como-mafiosa-roubou-clientes-e-impos-falencia-a-distribuidores-de-leite-em-sao-paulo/

Procurada insistentemente por nossa reportagem, a empresa preferiu não responder às denúncias.

Graves, por sinal.

Mas terá que se pronunciar aos distribuidores, em breve, notificada que foi extrajudicialmente sobre suas ações.

Documento forte, que trata as manobras da BRF como “ilícitas” e a acusa de estrangulamento financeiro com objetivo de levar vantagem indevida.

Primeiro passo para um possível processo que, tudo indica, será proposto pelos distribuidores, indignados com o que consideram falta de lealdade da antiga “parceira”.

Confira abaixo cópia da referida notificação.

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(publicado em 07/05/2013)

BRF Foods é acusada oficialmente de apresentar contratos falsificados de distribuidores na Justiça

Recentemente publicamos algumas matérias dando conta de que a empresa BRF Foods estaria deliberadamente prejudicando distribuidores no intuito de reduzir os valores da multa rescisória, apoderando-se ainda, de maneira fraudulenta de seus clientes.

Agora a acusação é ainda mais grave e, tudo indica, com provas contundentes, que envolveriam ainda possível co-participação criminosa do 36º Cartório da Vila Maria, que tem como responsável a oficial Sílvia Maria Costa Tymonczak.

Processo aberto pela TRANSVIMA Comercio e Transporte Ltda., na 5ª Vara Civil de São Paulo, sob nº 0141970-96.2011.8.26.0100, recebeu, recentemente, juntada de contratos que comprovariam a falsificação, e que devem ser encaminhados, nos próximos dias, para averiguação criminal do MPSP.

Logo abaixo, observa-se duas versões de um mesmo contrato, entre a Transvima e a AVIPAL, que era anteriormente a responsável pelo fornecimento aos distribuidores, antes de ser absorvida pela BRF Foods.

A primeira, original, datada de 19 de setembro de 2008, com assinatura responsável pela Transvima, e autenticada  pelo 36º Cartório no dia 6 de novembro de 2008.

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Na segunda versão, que a Transvima alega ser falsificada e não ter assinado, a data do contrato é anterior, 1 de agosto de 2008, contém a mesma assinatura, e foi autenticado, estranhamente, no mesmo dia da autenticação anterior.

Especula-se várias hipóteses para o ocorrido, entre elas a mais grave, de que o cartório poderia ter referendado os documentos, sob ordens da BRF Foods, retroagindo as datas dos carimbos.

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Há diferenças, também, pontuais entre as duas versões, com clausulas que beneficiam a BRF Foods inseridas e as que não lhe agradam, suprimidas.

Observe, por exemplo, as diferenças na clausula 2.2.

ORIGINAL

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FALSIFICADO

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Sem dúvida acusações gravíssimas e que, mais do que desacordos ou fraudes empresariais, envolveriam crimes ainda mais graves, que precisam ser rigorosamente apurados pelo poder público.

Procurados, BRF Foods não se pronunciou e a representante do cartório não foi encontrada.

SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

BRF FOODS, em ação tratada como “mafiosa”, “roubou” clientes e impôs falência a distribuidores de leite em São Paulo

https://blogdopaulinho.wordpress.com/2013/04/23/br-foods-em-acao-tratada-como-mafiosa-roubou-clientes-e-impos-falencia-a-distribuidores-de-leite-em-sao-paulo/

BRF FOODS é notificada por “ato ilícito” pelos distribuidores, mas mantém silêncio sobre denúncias

https://blogdopaulinho.wordpress.com/2013/04/25/brf-foods-e-notificada-por-ato-ilicito-pelos-distribuidores-mas-mantem-silencio-sobre-denuncias/

O caso Microvlar, o escândalo das carnes e os valores corporativos

março 20, 2017

Por JOSE RENATO SATIRO SANTIAGO

Empresa farmacêutica alemã fundada em 1851, a Shering chegou ao Brasil em 1923. A unidade instalada na cidade do Rio de Janeiro foi uma das primeiras subsidiárias fora do continente europeu. A partir da construção da fábrica na capital paulista em 1958 e do lançamento do seu primeiro contraceptivo oral, três anos depois, em 1961, a Schering do Brasil viveu um momento de grande expansão e se tornou a segunda maior unidade mundial do grupo em capacidade produtiva. Em 1985, com o lançamento do Microvlar, pílula anteconcepcional produzida à base de hormônios femininos, a Schering do Brasil passou a viver anos dourados. Foram pouco mais de cinco anos até assumir a liderança neste mercado, por conta dele ser considerado um produto altamente eficaz e confiável. Logo esta realidade ficaria “em algum lugar no passado”. No princípio de 1998, durante os testes de um novo equipamento de embalagem, a empresa produziu cerca de 25 milhões de drágeas de placebo, a base de farinha e trigo, sem qualquer princípio ativo.

Inadvertidamente, por volta da metade delas acabou sendo embalada e distribuída no mercado, em um gravíssimo erro de processo que daria origem a um dos maiores escândalos da história do mercado farmacêutico. Passaram poucos meses, até que milhares de consumidoras, que utilizavam o produto por anos, começaram a engravidar. No meio de muitas informações desencontradas e equívocos na identificação da causa raiz do problema, o produto foi, preventivamente, retirado do mercado. O escândalo das ‘pílulas de farinha’ ganhou as manchetes, provocando à marca danos irreparáveis, certamente não maiores que de suas consumidoras, se considerarmos, obviamente, o fato delas não quererem engravidar.

Uma das medidas adotadas pela Schering do Brasil para tentar recuperar sua imagem consistiu na contratação, em agosto daquele ano, da atriz global Maitê Proença para estrelar uma campanha publicitária que tinha como objetivo principal divulgar a ‘pleno pulmões’ que o “Microvlar estava retornando ao mercado com nova embalagem e sem alteração na sua fórmula química.” A belíssima atriz, que estava com 40 anos de idade, era uma das protagonistas da novela Torre de Babel, grande sucesso naquele ano. Dona de posições firmes e com grande credibilidade junto ao público feminino, a empresa apostou suas fichas em Maitê, como forma de alcançar o público alvo consumidor do anticoncepcional. Pois é, tudo parecia bem azeitado, até que poucas semanas depois do início da campanha publicitária, novas irregularidades rondaram o Microvlar. Desta vez, a falta de uma drágea na cartela. Mais um equívoco no processo produtivo.

Por considerar ter tido sua imagem arranhada, Maitê Proença processou a Schering do Brasil, solicitando uma indenização quase 10 vezes maior que o valor recebido para realizar toda a campanha. A atitude, considerada por alguns, como extremada, ao menos serviu de alerta para discutir a relação entre os protagonistas de grandes campanhas publicitárias e os produtos e empresas por eles ‘abraçados’, afinal, quais seriam os limites e as devidas responsabilidades das partes. Ainda que não se tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre isso, ao menos um alerta, ainda que óbvio, foi dado: “Havia de se ter muito cuidado ao se associar sua imagem à de empresas e produtos”. Lembrando que isto aconteceu em 1998.

Passados quase 20 anos, eis que, de certa forma, fato similar voltou a protagonizar as manchetes. O atual escândalo envolvendo algumas empresas fornecedores de carne pela venda de produtos estragados, o uso de propina junto aos órgãos de fiscalização, bem como obscuras ligações com alguns políticos, fez com que uma das primeiras questões que viesse à tona fosse sobre o envolvimento de três grandes nomes do mundo artístico em suas campanhas publicitárias, são eles: a apresentadora Fátima Bernardes, o ator Tony Ramos e o cantor Roberto Carlos. Obviamente que seria um total sacrilégio associar qualquer culpabilidade, quando e se provada, dos atos praticados por estas empresas com as posturas tomadas por estes três artistas. No entanto, assim como eles foram bem remunerados para recomendar o consumo destes produtos, é inegável que muitos passarão, a partir de agora, a desconsiderar novas indicações feitas por eles, o que irá provoca-los perdas em futuras campanhas publicitárias. Esta fora um dos motivos das ações movidas pela atriz Maitê Proença junto a Schering do Brasil, quase duas décadas atrás. Cabe lembrar, que durante as suas campanhas publicitárias, os três faziam questão de afirmar que consumiam os produtos destas empresas, sendo que no caso do Rei Roberto, até dúvidas sobre sua condição de vegetariano chegou a ser levantada.

Inegável o prejuízo causado as imagens destes artistas. Caberão a eles pagar por isso, no caso, com a perda de parte de suas credibilidades junto ao seu público. Pouca coisa? O tempo dirá. Certamente alguns processo rolarão, nada mais justo.

Mas, infelizmente, as coisas não acabam por aí.

Em pesquisa publicada no mês de junho do ano passado, pela revista Você S/A, atualmente na editora Abril, sobre as 25 empresas mais desejadas pelos estudantes de engenharia, aparecem no topo da lista, empresas presentes no ‘olho do furacão’ por conta de corrupção nos vários processos levantados pela operação Lava Jato. Se é fato, que não seja possível fazer generalizações sobre os colaboradores destas empresas, uma vez que em sua grande maioria se tratam de pessoas honestas que desenvolveram suas atividades de forma correta, o que pensar de jovens que têm como referência mais forte, talvez única, destas empresas o fato delas terem participado de forma vil do maior sistema de corrupção da história do mundo? Muito possivelmente, para boa parte destes jovens, a preocupação com a imagem e a associação com valores morais adequados acabam ganhando uma relevância difusa quando comparadas as cifras potenciais que podem ocupar os seus bolsos. Sinais dos tempos ou apenas um exagero?

Afinal, o que Fátima Bernardes, Tony Ramos, Roberto Carlos e estes jovens engenheiros têm em comum?

Em tempo…

·     O presidente da Shering do Brasil, Rainer Bitzer, foi demitido 2 meses depois da divulgação do escândalo;

·     Por volta de 200 mulheres e famílias foram indenizadas pela Schering do Brasil;

·     Em 2004, o STJ negou pedido de indenização de Maitê Proença contra Schering;

·     A Schering foi adquirida pelo Grupo Bayern em 2006.

·     No ano de 2010 o Grupo Bayern decidiu extinguir a marca Schering.

·     O Microvlar continua sendo um dos anticoncepcionais mais vendidos no país.

·     A atriz Maitê Proença jamais voltou a protagonizar uma campanha deste vulto.


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