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Memórias que a imprensa quer esquecer: Piratas da TV – saiba como jornalistas da BAND “vendiam” reportagens – parte 2

Dando sequência à matéria “Os Piratas da TV”, originária da revista PLACAR, em 1996, publicaremos a segunda parte, em que mais detalhes sobre as peripécias dos jornalistas da BAND são contados.

Para conferir o que foi mostrado ontem basta clicar no link abaixo.

http://blogdopaulinho.wordpress.com/2013/04/11/memorias-que-a-imprensa-quer-esquecer-piratas-da-tv-saiba-como-jornalistas-da-band-vendiam-reportagens-parte-1/

Note que, 17 anos depois, os hábitos de grande parte dos atuais jornalistas esportivos da emissora continuam os mesmos, porém, executados de maneira ainda mais descarada.

Da PLACAR

Por SERGIO LUIZ RUZ

COMO AGE O ESQUEMA

LEMBRA DO…

Na final de 1994, o atacante Elivelton estava encostado no Nagoya, do Japão, e ligou desesperadamente para o amigo Cafu.

“Ele sabia que o Luciano Junior estava dando uma força aos jogadores e falou do meu caso para ele.”, lembra-se Elivelton.

Em pouco tempo o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, foi abordado pelo jornalista.

“Estávamos decidindo o Campeonato Brasileiro. Descartei a ideia.”, conta Dualib.

Insistente, o repórter voltou à carga meses depois, com sucesso.

Elivelton pagou R$ 32 mil pela intermediação do negócio.

“Rompi no meio do ano o contrato de procuração com o Luciano pois acho que posso cuidar dos meu contratos sem ter que pagar a outra pessoa”, explica.

LUCROS NO INTERIOR

Assustados com as baixas rendas do último Campeonato Brasileiro, os clubes toparam atuar fora de seus estádios em troca de cotas fixas oferecidas por empresas como a Sports General Business.

Em novembro, Eli Coimbra convenceu os dirigentes do União São João e do Palmeiras a mudarem o local da partida de Araras para Mirassol, interior de São Paulo.

Os times abriram mão da renda em troca de cotas fixas de R$ 45 mil (Palmeiras) e R$ 30 mil (União).

Foi um grande negócio para a empresa.

Depois de pagar os clubes, a SGB faturou aproximadamente R$ 95 mil na operação, sendo R$ 80 mil como renda e R$ 15 mil com placas publicitárias.

“Quando o União ganharia R$ 30 mil numa partida ?”, pergunta Coimbra.

UMA FORÇA PARA O ZÉ

O volante Zé Elias, do Corinthians, andava insatisfeito com seu contrato publicitários com as chuteiras Nike.

Além de render-lhe apenas R$ 1 mil por mês – outros craques conseguem somas dez vez maiores -, o pagamento da empresa estava seis meses atrasado, conforme comunicou ele numa carta em julho, oficializando seu rompimento com a marca.

A Nike ainda considera válido o contrato e ameaça processar o jogador, que atua hoje usando chuteiras Reebok.

O intermediário da ida de Zé Elias para a Reebok foi o jornalista Luciano Junior, que garante ser, acima de tudo, um amigo do jogador.

Mas, amizade a parte, o jornalista fatura uma comissão de 10% sobre o contrato, que rende ao corinthiano mais de R$ 10 mil por mês.

BINGO POR TELEFONE

Luciano Junior tentou vender um negócio de bingo telefônico ao Cruzeiro.

Dizia representar uma firma, a Segmenta, que estaria realizando o mesmo serviço para o Timão, o “Alô Corinthians”.

O presidente do Cruzeiro, José de Oliveira Costa, checou a história e descobriu que o Corinthians nunca fez negócio com a Segmenta.

“Foi um mal entendido”, diz Luciano Junior.

O ASSÉDIO

Em novembro, o Sport Recife veio a São Paulo enfrentar o Corinthians.

A SGB aproveitou para propor a jogadores do time uma procuração e um contrato de honorários em que seus sócios ficam responsáveis por toda transação que envoilva os atletas.

Cobra-se por isso uma comissão de 5% sobre o salário e 10% sobre publicidade.

A mãe do jogador Chiquinho, de 20 anos, assinou os dois documentos, mas o meia não se decidiu.

“Vou pensar melhor”.

O zagueiro Sandro concordou com a proposta.

O também zagueiro Adriano tem opinião diferente: Não achei vantajoso.”

CONEXÃO HOLANDA

Em fax enviado em maio passado a um escritório em Amsterdã, Luciano Junior oferece jogadores para negociação no exterior.

A lista inclui o astro chileno Marcelo Salas e os atacantes brasileiros Elivelton (Corinthians), Macedo (Santos), Tico (Portuguesa) e Catê (São Paulo).

No documento, Luciano cita conversações com o zagueiro Antonio Carlos e o volante Zé Elias.

A relação foi enviada ao empresário Jacó Kurtz, dono do restaurante Canecão, ponto de encontro dos brasileiros na Holanda.

Ao citar Macedo, Luciano usa o nome do tricampeão e diretor do Santos Clodoaldo.

“Não autorizei a usar o meu nome”, irrita-se Clodoaldo.

Luciano diz que prestava um favor a um empresário carioca.

“Não tem nada a ver com a minha empresa, foi apenas uma brincadeirinha.”

VIAGEM PERDIDA

Jogando pelo Palmeiras, o meia Edu Manga, 28 anos, chegou à Seleção nos anos 80.

Em agosto passado, porém, quando veio ao Brasil disputar pelo Emelec as semifinais da Taça Libertadores contra o Grêmio, estava no ostracismo.

Sua boa atuação na partida, no entanto, motivou uma produtiva conversa após o jogo com o repórter Octávio Muniz.

“Acabei entregando a ele uma procuração”, conta Edu.

Tatá é rápido no gatilho.

Semanas depois, o diretor de futebol da Portuguesa, Ilídio Lico, recebeu um telefonema do repórter oferecendo o jogador ao clube.

Ilídio consultou Levir Culpi, que dirigia na época o clube e vetou a contratação.

Em seguida, ligou para a sede da SGB comunicando a notícia ao jornalista da Bandeirantes.

“Para minha surpresa, o Edu já estava no escritório da empresa e o Tatá começou a pressionar”, conta Ilídio.

“Desliguei o telefone”

O repórter rebate: “O Ilídio ligou querendo falar com o Edu, que, por coincidência, visitava a minha empresa”, jura.

Segundo Tatá, Ilídio sondou o jogador para depois dizer que ele não interessava a Portuguesa.

“Achei uma palhaçada com o Edu e encerrei o papo”, garante Tatá.

GOLPE NO COREANO

De seu escritório em São Paulo, o empresário Ham Yoon Cho se especializou em levar jogadores brasileiros para clubes da Coréia, como o atacante Maurício (ex-Botafogo e Interncional).

Recentemente, bateu à sua porta o jornalista Luciano Junior, que deixou uma pasta com a lista de jogadores da SGB.

No capítulo dos laterais havia o nome de Edinho, na época da Portuguesa, jogador que tem um contrato de procuração com o empresário Oliveira Junior.

“Tinhamos acertado tudo com o jogador mas, na última hora, ele desistiu”, afirma um dos sócios da SGB, Ivã de Fiore Coimbra.

“Foi um erro nosso termos incluído Edinho na lista”, desculpou-se Ivã.

CADÊ A COMISSÃO ?

O comentarista Eli Coimbra aproveitou bem a viagem que fez a Santa Catarina em outubro para cobrir o jogo Corinthians e Criciúma.

Voltou de lá com três fitas embaixo do braço com os melhores momentos do zagueiro Alexandre Lopes, 21 anos, além da autorização do presidente do Criciúma para oferecer o atleta ao Corinthians.

Um mês depois a venda foi concretizada por R$ 500 mil.

“Mas quem realizou o negócio para nós foi o empresário Gilmar Veloz”, afirma Milton Carvalho, presidente do Criciúma.

Carvalho espantou-se ao ser informado pelo vice-presidente do Corinthians, Zezinho Mansur, de que as fitas levadas por Coimbra nunca chegaram ao Parque São Jorge.

Quando foi a São Paulo fechar o negócio, o presidente do Criciúma foi abordado pelo repórter Octávio Muniz.

“Ele me cobrou uma comissão sobre a venda do Alexandre”, afirma Carvalho.

“Eu disse que pagaria apenas às pessoas que efetivaram a intermediação”, lembra.

Tatá nega ter falado em comissão.

“Só pus a mão no ombro do presidente e cumprimentei pela transação”, jura.

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