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Memórias que a imprensa quer esquecer: Piratas da TV – saiba como jornalistas da BAND “vendiam” reportagens – parte 1

Há uma matéria da revista PLACAR, assinada pelo jornalista Sergio Luiz Ruz, denominada “Os Piratas da TV”, que boa parte da imprensa prefere esquecer.

Datada de 1996, escancarou como jornalistas da BAND vendiam suas opiniões para benefício próprio (eram empresários de jogadores), pouco se importando em fazer todo o púbico, que neles acreditava, de idiotas.

Postaremos em duas partes, para que o leitor possa conhecer um pouco mais da história da imprensa esportiva brasileira.

Nesse caso, a lama.

Hoje, a reportagem em si, amanhã, detalhes de negociações realizadas pelos jornalistas.

Entre os denunciados está o atual dirigente da ACEESP, Octavio “Tatá” Muniz.

Entidade que tem como presidente Luis Ademar, comentarista da SPORTV, além de dirigentes da estirpe de um Leandro Quesada.

Louvável a atitude do narrador Silvio Luiz, à época, que não se furtou a criticar duramente os denunciados, mesmo sendo colega de trabalho da mesma emissora.

Demonstrando toda a sua dignidade.

Bem diferente de Luciano do Valle, chefe dos “jornalistas”, que se calou, e ainda convive na mesma situação, nos dias de hoje, com companheiros de hábitos semelhantes, sem se sentir minimamente incomodado.

Tome um “dramin” e confira abaixo, sabendo, desde já, que qualquer semelhança com o que se passa atualmente na tela da BAND está longe de ser mera coincidência.

OS PIRATAS DA TV

Da PLACAR

Por SERGIO LUIZ RUZ                                           

“Repórteres faturam com a venda de passes e promoção de jogos. O esquema clandestino de três jornalistas da Bandeirantes reuniu 61 atletas e vinte treinadores e arrumou muita confusão.”

Há jornalistas que enxergam mais coisas além de dribles, gols e esquema táticos quando estão diante de um microfone ou assinam colunas especializadas.

Para esses profissionais, os cifrões do mundo da bola são tentadores o suficiente para transformar o entrevistado de hoje no contratado de amanhã.

Com acesso privilegiado a atletas, técnicos e cartolas – sem falar no poder de elevar jogadores ao Olimpo dos craques na mesma velocidade com que detonam carreiras e reputações -, eles propõem os mais diferentes tipos de negócio às pessoas que deveriam ser apenas o objeto de suas reportagens e comentários.

Casos como os de Eli Coimbra, Luciano Junior e Octávio “Tatá” Muniz, da equipe esportiva da Rede Bandeirantes e sócios da Sports General Business, firma especializada em intermediar a compra e venda de jogadores, ou o de Luís Orlando, que acumula os cargos de apresentador do programa “Camisa Nove” na rede CNT e empresário do artilheiro Túlio, são bons exemplos de como alguns integrantes da imprensa não tem o mínimo pudor em dar um bico na isenção e na credibilidade quando farejam negócios vantajosos.

E que negócios !

O repórter e apresentador Luciano Junior, por exemplo, ganhou do atacante Elivelton um carrão Alfa Romeo no valor de R$ 32 mil por ter arranjado sua transferência do futebol japonês para o Corinthians.

É algo realmente tentador.

Com um salário de R$ 2,4 mil, Luciano teria que suar a camisa durante um ano para economizar a mesma quantia.

Luis Orlando, do Camisa Nove, fez uma jogada ainda melhor.

Gastou passagens, telefonemas, fax e muita lábia para convencer os dirigentes do Botafogo de que a redenção do clube estava nos pés de Túlio – na época desacreditado e exilado no frio suíço.

A comissão do persistente jornalista atingiu US$ 150 mil.

Esses negócios, diga-se a verdade, também renderam dividendos aos times.

Túlio é Túlio.

Elivelton anotou para o Corinthians o gol do título no ano passado.

Quem não lucra quase nunca com isso são os torcedores.

Sempre que algum dos jogadores de Luis Orlando está na boca de uma boa transferência – a relação inclui o ex-botafoguense Sérgio Manoel, de mudança para o Japão, e o vascaíno Juninho, entre outros – o telespectador de seu programa é obrigado a aturar entrevistas enchendo a bola do rapaz.

No caso da Bandeirantes, a lista de atletas ligados aos jornalistas da casa é tão grande que gerou críticas públicas até de um funcionário da emissora, o locutor Silvio Luiz.

Num depoimento exclusivo, ele afirma sentir-se constrangido em trabalhar ao lado de Eli Coimbra, Luciano Junior e Octávio Muniz.

OS SÓCIOS DA SPORTS GENERAL BUSINESS

SGB defendem-se dizendo que lidam apenas com marketing esportivo.

Puro jogo de cena.

Analisando de perto as atividades da SGB, PLACAR reuniu provas e evidências de que os jornalistas criaram um amplo conceito de marketing esportivo, capaz de englobar mudanças de sedes de jogos, vendas de serviços telefônicos e intermediação de transferência de jogadores e técnicos.

Para salvar as aparências, os profissionais da Bandeirantes não aparecem no Contrato Social da empresa.

Ali constam apenas os nomes Ivã de Fiore Coimbra e Ely de Fiore Coimbra, advogados e filhos do comentarista Eli Coimbra.

Antes da abertura da SGB, que ocorreu em julho passado, Ivã atuava como procurador do ex-técnico Mario Sergio, enquanto seu irmão foi durante três anos auditor do Tribunal da Federação Paulista de Futebol.

A indicação para o cargo veio de seu amigo, o presidente Eduardo José Farah.

“Apenas o Ivã e o Elizinho tratam da compra e venda de jogadores e atuam como procuradores de técnicos”, jura Luciano Junior, que se identificou como diretor de marketing da empresa.

Tatá seria o diretor de eventos e Eli Coimbra  o coordenador geral do negócio.

Nas procurações e contratos assinados pelos jogadores e técnicos ligados à empresa, no entanto, Tatá e Luciano aparecem como beneficiários das comissões.

Assim, nos últimos meses, dirigentes de alguns dos principais clubes brasileiros – Santos, Cruzeiro e Atlético, entre outros – receberam listas de sugestões de atletas enviadas pelo jornalista Luciano Junior.

A relação de contratados da empresa atinge 61 jogadores – de garotos como o zagueiro são-paulino Bordon a ídolos como o cruzeirense Roberto Gaúcho – , além de vinte técnicos, como Carlos Alberto Silva, ex-técnico da Seleção, Valdir Spinosa, campeão mundial pelo Grêmio, e Cesar Menotti, ex-Seleção Argentina.

“Consigo separar jornalismo e negócios”, assegura Luciano Junior.

“Nunca confundi as coisas”, faz coro Tatá.

“Comuniquei ao Luciano do Valle, que é meu chefe, a existência da SGB.”, diz Eli Coimbra.

“Quando achar incompatível as duas funções, peço demissão da Bandeirantes”, jura.

Procurado pela reportagem de PLACAR, Luciano do Valle não quis falar sobre o assunto, mesma atitude adotada pelo vice-presidente da emissora, José Roberto Maluf, citado por Silvio Luiz como uma das pessoas que sabia das atividades da SBG.

No mundo da bola, são poucos os que se arriscam a criticar a mistura entre jornalismo e negócios.

O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, é uma exceção.

“A função do jornalista é divulgar as coisas, e não contratar jogador.”, entende.

Seus colegas, como o presidente do Santos, Samir Abdul-Hak, preferem manter uma prudente distância sobre o assunto.

“Recebi uma lista com vinte jogadores para serem negociados, mas converso com eles como se fossem quaisquer outros empresários.”, conta.

Enio Rodriguês, presidente da ACEESP, entidade que reúne 900 profissionais, considera impossível um jornalista fazer críticas isentas a um jogador ao mesmo tempo que pensa em vende-lo no mercado:

“Sua liberdade comprometida e, por mais honesto que o repórter seja, não há como evitar suspeitas.”, afirma.

“Se deseja virar empresário, o correto é o jornalista afastar-se da imprensa”, aconselha Rodriguês.

“Senão é a mesma coisa que um médico receitar remédios feitos em seu próprio laboratório”, complementa o comentarista Juarez Soares, do SBT.

“As pessoas me conhecem há trinta anos e sabem da minha seriedade”, diz Eli Coimbra, respondendo às críticas.

Seu sócio Tatá, que em 1994 liderou infrutífero movimento na Bandeirantes para que os jornalistas pudessem vender serviços de tele-informações para complementar a renda, argumenta que, apenas com seu salário declarado de R$ 2,3 mil, não é possível sobreviver, “só se o cara for mágico”.

O sócio Luciano Junior emenda: Os telespectadores sabem que, ao ligarmos o microfone, esquecemos nossos negócios”.

OLHO NO LANCE

A ação dos jornalistas da empresa SGB gerou mal-estar entre profissionais da emissora.

Silvio Luiz, um dos mais conhecidos locutores do país, desabafa, em depoimento exclusivo a PLACAR:

“Sinto-me constrangido em trabalhar com Eli Coimbra, o Luciano Junior e o Octávio Muniz.

Nunca sei quando as informações e comentários deles tem ou não segunda intenções.

No último jogo entre Santos e Guarani, pelo Campeonato Brasileiro, O Eli pediu desculpas por criticar a atuação do atacante Robert.

Não sei porque ele pediu aquela desculpa.

Há jornalistas sócios de empresas que vendem placas publicitárias de estádios, como o Ciro José, da Rede Globo.

Vender placa não é vender jogador.

Você não pode criticar ou elogiar uma placa.

Embora eu também seja contra.

Acho que o profissional deve se afastar de suas funções para entrar nesse tipo de negócio.

Foi o que aconteceu com o Oliveira Junior, que deixou de ser repórter da rádio Globo para empresariar o lateral Roberto Carlos.

Meus colegas deveriam seguir esse exemplo.

Quando fiquei sabendo do caso, fui conversar com o vice-presidente da emissora, José Roberto Maluf, que me disse que a situação era desagradável e me pediu para esperar.

Estou esperando.

Não sei se o Luciano do Valle sabia da história.

Não tenho o menor problema em tornar pública minha opinião.

Meu contrato termina em abril. Se le or rescindido antes disso, há uma multa prevista.

Falo apenas em meu nome, para me resguardar.”

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