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Palavra do Magrão

Sobre craques e emoções

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=1305

Por SÓCRATES

Júlio Baptista é um daqueles jogadores que poucos o vêem como ele realmente é. Talvez por causa de sua grande massa muscular ou de sua altura ou mesmo por não ter medo de divididas, mesmo as mais perigosas, o ex-jogador do São Paulo jamais foi muito valorizado por aqui, ainda que tenha se transferido já há algum tempo para a Europa e feito bons campeonatos pelo Sevilha e pelo Real Madrid. Dois anos atrás, já no Arsenal de Londres, ele pouco jogou e não teve chance de se firmar. Depois das boas exibições na Copa América, Júlio retornou ao Real, mas ainda continua buscando seu lugar na equipe.

E este fato me intriga. Júlio é um atleta que eu gostaria de ter no meu time, caso o tivesse. Creio que é o jogador brasileiro com mais capacidade de se adaptar às exigências das inúmeras variantes táticas que encontramos nas equipes de hoje. Vejo-o não só como um volante, como a maioria o reconhece, mas sim como um atleta que pode jogar, e bem, como zagueiro, meia ou atacante.
É claro que jamais será um Ronaldinho gaúcho ou um Kaká, exatamente porque não é um especialista. É, contudo, uma opção excelente para qualquer equipe que o tenha no elenco. Tecnicamente, possui todos os fundamentos necessários para a prática esportiva muito bem desenvolvidos. Cabeceia e chuta bem, marca com afinco e respeito os adversários e é muito solidário com os companheiros. Enfim, um belo jogador para os dias de hoje, apesar de não ser um craque na acepção da palavra.

O salvador da pátria

No ano passado, graças às atuações do goleiro Felipe, muitas vezes o Corinthians se safou de derrotas que antecipariam a trágica queda para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Difícil acreditar que uma equipe com as tradições corintianas e com a força de sua marca tenha tido o seu goleiro como principal jogador em toda a temporada. Mas esta era a melhor representação do quão limitado e incapaz era o seu time.

O goleiro que chega a se destacar como Felipe é porque tem à sua frente uma equipe desorganizada, de jogadores de nível técnico discutível e que não consegue atuar de forma a se preservar contra quaisquer adversários. Lembro-me do Juventus (SP) dos anos 70, que possuía como principal característica jogar na defesa como um grupo de guerrilheiros enfrenta seus oponentes. Assim, geralmente seus goleiros eram os que mais trabalhavam, destacando-se tanto que em pouco tempo chamavam demasiada atenção e vinham a ser contratados pelas grandes equipes. Um time pequeno, como pequeno foi o time do Corinthians, deveu-se à falta de planejamento e a uma gestão fraudulenta e incompetente. O clube não conseguiu escapar do rebaixamento e hoje tenta reerguer-se. Fez um investimento gigantesco, modificando radicalmente o seu elenco, menos o goleiro. Este parecia intocável pelos créditos que possuía. Entretanto, gradualmente ele foi sendo fritado, não pelo seu jogo, imagino, e sim por sua conduta. Até que, como se esperava, na doída derrota na final da Copa do Brasil torna-se o vilão da perda do título. E todos os seus créditos se esvaem.

Fragilidade emocional

As meninas da seleção de vôlei do Brasil mais de uma vez sucumbiram em uma partida decisiva, devido à sua fragilidade emocional. Muitas vezes, como contra a Rússia na semifinal das Olimpíadas, tiveram o jogo na mão e desperdiçaram a oportunidade. Geralmente começam bem, mas basta o jogo se tornar mais equilibrado para as alterações emocionais se estabelecerem, complicando o desempenho. A partir daí, nada dá certo e, pior, a instabilidade é recebida até com certa apatia por quase todas as jogadoras, como se não pudessem enfrentá-la. E os erros passam a se suceder em profusão. Com isso, não há mais jogo de um lado da quadra e a vitória das adversárias ocorre com facilidade.

Não é de hoje que nossa equipe tem dificuldades em lidar com seu emocional. Ela tem qualidade técnica suficiente para enfrentar em igualdade de condições os melhores times do mundo, porém não tem equilíbrio suficiente para superar dificuldades. Seria de bom-tom que se utilizasse em período integral (e não ocasionalmente) um bom trabalho psicológico para oferecer às jogadoras respaldo nesse quesito.

Se esse trabalho não for feito, dificilmente chegarão onde podem e muitos títulos ainda serão perdidos. É só uma questão de bom senso e competência de quem monta uma comissão técnica.

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